domingo, novembro 04, 2007

Lety Let's Go!

na verdade, vou ficar
e esperar pacientemente até ele abrir a janela
só pra olhar aquele rosto mais uma vez
mas vejo tão longe
que sua sombra é tudo que enxergo

eu só penso em coisas repetidas
e no desejo que se renova
a cada dia quando ele volta a abrir a janela
vou acenar, mesmo que ele não veja
será meu boa noite
e meu adeus


.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Os presentes

Os amigos estiveram comigo. Comemos. Bebemos (refigerante) e rimos dos estranhos com fotos estranhas naquele site de relacionamento também estranho.
Todos foram embora. Ficaram os presentes, alguns docinhos, grande parte do bolo e a pia cheia de pratos sujos para lavar. Lavei!
Olhei os presentes. Gostei de todos. Gostei mesmo.
Dei um olhadinha no livro que a menina dos cabelos cacheados me deu. Na primeira página tinha isso:

"Sob o canto do bate-num-quara nasceu Cabeludinho
bem diferente de Iracema
desandando pouquíssima poesia
o que desculpa a insuficiência do canto
mas explica a sua vida
que juro ser o essencial"

Cabeludinho nasceu no mesmo dia que eu.


.

sexta-feira, outubro 19, 2007

O menino azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)



bonitinho, né?!
são poesias para criança de cecília meireles...

terça-feira, agosto 07, 2007

Fita Amarela

Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela.

Se existe alma
Se há outra encarnação
Eu queria que a mulata
Sapateasse no meu caixão

Não quero flores
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta
Violão e cavaquinho

Estou contente,
Consolado por saber
Que as morenas tão formosas
A terra um dia vai comer.

Não tenho herdeiros
Não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos
Mas não paguei a ninguém

Meus inimigos
Que hoje falam mal de mim,
Vão dizer que nunca viram
Uma pessoa tão boa assim.

Noel Rosa

quinta-feira, agosto 02, 2007

Há?

Não quero recados desdenhosos, nem e-mails desesperados.
Nem quero meu rosto estampado numa camiseta, muito menos em adesivos.
Celebrarei sozinho minha ida.
Por que se eu for, não irei contra minha vontade. Vou feliz.
Não há nada de errado em querer ou não querer tudo isso.

quarta-feira, julho 11, 2007

Chuáááá...


- Querido, você atender o telefone? Eu estou no banho.
- ...
- Querido. Você me ouviu? Eu tô tomando banho!
- ...
- Querido... Querido?
(Desenhozinho de Roy Lichtenstein)

terça-feira, julho 03, 2007

Vista-se



Tire sua roupa e ponha outra melhor.
Aquela, que esconde seu rosto, cobre sua pele e disfarça sua insensibilidade
Não. Não é essa. Ela te deixa apático, lânguido. Você não é assim
Coloque essa calça e aquela blusa. Te deixará imoral, artificial e vazio.
Pronto. Você está esplendido
.
.
.

Tradução:

Hoje estou meio desanimado, meio pra baixo. Às vezes dá vontade sair curtindo a vida feito doido, às vezes dá vontade de ficar quietinho na sua, só observando o que os outras fazem. Não estou nem um pouco animado com o que tenho feito e me sinto cada vez mais longe do que eu quero de verdade. Bem longe.

quinta-feira, junho 28, 2007

Visita



Sempre acontece algo fora do comum quando visito aquele lugar inóspito.
Todas as palavras que ali vivem se agrupam e fazem um peso em minhas costas. Elas querem que eu fique por ali. Elas, as palavras, sabem que é uma visita rápida. Não sei como sabem disso, mas sabem.
Sinto-me execrado por aquela ambiente. Tenho medo dos que lá habitam. São muitos. Sabem tudo a meu respeito. Das minhas enfermidades, das minhas efemeridades, do meu comportamento paradoxal e bestial.
Esse peso, essa perturbação de espírito, é a única maneira que aquele lugar de moradores intelectualizados tem para me prender ali. Eu sei que faz isso por mim.

terça-feira, junho 26, 2007

Mas...

Eu finjo não saber o que ando dizendo. Também desconverso o que tenho feito. Mas a principio nem sabia que estava tão seco. Foi preciso que me cutucassem. Mas nem doeu muito. Só um pouco. Um pouquinho. O suficiente pra ficar atento. Mas nem sei se ficarei.
Sabe quando seu corpo pede aquela atitude? Sabe quando sua língua ácida não segura às sílabas e vão umas puxando as outras até sair uma frase suja e estúpida? Sei que não é maneira mais sensata, mas...

quarta-feira, junho 13, 2007

Sonho




bolo fofo
muito fofo
de farinha e ovos
brancos e amarelas

fritos em azeite
em uma chapa
chapa de ferro
ferro quente

passados em calda
de açúcar e núvem

sábado, junho 09, 2007

Pranto

Ele riu e se divertiu que nem um miserável com o pedaço de pão velho.
Ele riu e se divertiu como uma puta contando os trocados com as companheiras no final da noite.
Ele riu e se divertiu que nem as pobres faxineiras tomando café no final do expediente.
Ele riu e se divertiu tanto quanto as velhas ciganas que passeiam pela praça.
Ele riu e se divertiu como a glamourizada travesti depois de gozar.
Ele riu e se divertiu tanto que chorou pelo resto da vida de tanto rir.

segunda-feira, junho 04, 2007

O tédio

- Pois é... Tá quente né?
- Não. Não muito.
- Pois tô achando. Deve ser o aquecimento global. Tá na moda, né?
- Super tendência!
- Outra coisa que também é tendência é gordura trans.
- Transexuais? Aff... é viado demais no mundo. Chega!
- E num é?!
- Existe até gordura com orientação sexual!
- Mas estão diminuindo. Todo pacote de alguma coisa tem assim: sem gordura trans. Até na batata frita do MC Donalds.
- Nossa! Então isso já é um caso de discriminação.

sexta-feira, maio 25, 2007

Natureza Viva

Me sujei
Pintando você em minha parede
Dei pinceladas
Que marcou aquela doce flor

Queria ser Picasso e Dora
Agora
Num sonho lúdico
Que traz de volta uma amizade, meu bem

Pintei cores e flores coloridas
Que saíram voando pela janela
Delas não restaram nenhuma pétala
Nenhuma pincelada

Mas sei que no final me quis bem
Mesmo restando a parede em branco
Ah, meu bem
Você não me deixa esquecer
Eu também te quero bem


(Prá ela, que sabe ou imagina quanto carinho carrego por nós dois,
que eu sufoquei a manhã inteira com minhas coisas,
que me viu fazer outras coisas que ela não gosta,
que se preocupa comigo)

sexta-feira, maio 18, 2007

O pôr-do-sol




Sempre tenho a impressão de ver você correndo em minha direção. Eu espero você chegar. Encabulado. Eu.
Mudo de direção. Decido correr também. Mas quando começo a dar os primeiros passos vejo que você mais uma vês chegou antes de mim. Você se antecipou ou foi eu que me atrasei?
Me envergonho.
Eu sei o que eu quero.
Uma nova decisão é tomada por mim. E dessa vez eu chego antes. Agora você me dá as costas e corre para o lugar onde eu estava antes.

terça-feira, maio 15, 2007

O inseto verde



Estranho. Só agora eu ter sentido sua falta.
Eu espero que ainda esteja a minha espera.
Espero que esteja a minha espera.
Disso tenho esperanças...

Ah! E também que vou encontrá-lo da mesma maneira que o deixei.
E se alguém terminar o que comecei?
E se terminar de forma incompleta?
Assim mesmo estará ou não finalizado?
Julgo incorreto.

segunda-feira, maio 07, 2007

Uau!

"Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel"

(Tigresa - Caetano Veloso)

=]

quinta-feira, maio 03, 2007

Pós-Crise?

Ah!, sim, sim, claro! Já passou. Mandei até uns beijinhos...
Sabe, agora é a hora de provocar. Mas estou grato, estou mesmo. Precisava exergar isso.
Ai, como sou bobo. Me deixar levar por tanto (não seria por tão pouco? Pois é... foi isso que eu disse, num foi?!)
Êê!
Ôá.

(Esse post dedico a Nati. Foi ela que me ensinou
a ser assim* e eu ensinei o mesmo para ela. Né?)

*assim = assim todo sei lá

segunda-feira, abril 16, 2007

Regador



E aquela discussão mexeu comigo mais do que eu esperava.
Não que eu tenha mudado ou que eu queria mudar, mas me fez pensar.
No começo me assustava, me irritava. Me acostumei.
Devia ter sido mais sossegado, mas não foi, eu não deixei.
Mas não me consumiu. Eu ainda vou alimentar isso mais um bocado.

quinta-feira, abril 12, 2007

É tendência!

Calça masculina skinny é tendência.
Diretas indiretas não é tendência.
Sunga cor de carne é tendência.
Cantadas baratas não é tendência.
Chinelo de praia rosa é tendência.
Roubar amigas do irmão é tendência.
Lurex é tendência.
Algemas menores não é tendência.
Jérsey é tendência.
Perder o oclão não é tendência.
Cuturno é tendência.
Fazer na balada é tendência.
Looks baseados na vida selvagem é tendência.
Dormir no quarto do irmão é tendência.
Texturas, cores e estampas é tendência. * (licença poética na conjugação do verbo ser também é tendência.)
Morte e traição não é e é tendência, respectivamente.



(Chinelo rosa na passarela)


segunda-feira, abril 09, 2007

Recado

"Tenho que sentir sozinho, caso contrario não será de verdade, será? Acho que não! E será que um mortal conseguirá se apaixonar por uma criatura superior? Também acho que não. Um pobre mortal está desprovido de tudo que é bom, tudo que lhe dá prazer, ele foi destinado a uma vida amarga e desprovida de um verdadeiro amor."

uiui...

quarta-feira, abril 04, 2007

C:\Documents and Settings\Desktop\Baby.cdr



Não quero passar o resto da vida deletando pontinhos. Quero?

segunda-feira, março 26, 2007

Me encante

"Sabes então que manifestarei ainda mais minhas intenções... Confesso que ainda temo, mas nunca me mantive inerte frente a qualquer desafio, mesmo conhecendo todos os seus riscos... Não acredito hoje, que me desconheces por completo, creio na certeza de que tu consegues decifrar-me, com teus olhos abertos enxergas não apenas 'minha fantasia', consegues saber quem sou... Resta-me te pegar pela mão e te trazer à parte mais limpa desse bosque, onde nenhum tronco possa nos atrapalhar, tudo isso para juntos, tu e eu, uma bela canção bailarmos. Vem meu desejoso Mortal, dança comigo, é grande a vontade de beijar-te envolto em uma canção de fadas, e é impossível prolongar ainda mais esse desejo."









...uma outra Flor de Ervilha

quinta-feira, março 08, 2007

Mulher de bigode



"Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas."

Pablo Neruda

*O bigode parece ter um conotação machista?

quinta-feira, março 01, 2007

O quartinho de Isabel




Isabel tirou os quadros da parede. Um por um, na esperança de que algo fosse alterado. Coitada, mal sabia que ia demorar um bocado até encontrar um novo lugar para ficar, mal sabia que teria que colocar tudo onde estava e voltar a dormir.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Um abraço

- Eu tenho uma coisa prá contar.
- Eu também.
- Fala você primeiro.
- Não sei, mas acho que não estamos mais na mesma. Entende?
- Não?
- Não.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Não existe

"E as águas desse rio onde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei
Esperei por você, Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Ah, você não existe Dindi "

[Aloysio de Oliveira e Tom Jobim]

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O jovem faxineiro

Eu faxinarei
tu faxinarás
ele faxinará
nós faxinaremos
vós faxinareis
eles faxinarão.
No fim das contas ele fez tudo sozinho.

Ilustração de Mike Wall.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O Homem tombado

Morreu na faixa de pedestre atrapalhando o tráfego!

Adaptação corajosa de Chico...



quarta-feira, janeiro 31, 2007

O homem que entrou pelo cano

Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra, um desvio, era uma secção que terminava em torneira.
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante.
No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou:“Mamãe, tem um homem dentro da pia”.
Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.

Ignácio de Loyola Brandão

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Mãos presas

Queimava por dentro
tinha uma razão
não queria perdê-la
Era impossível deixar de ouvir
me fazia ordens
eu somente obedecia
abria a porta
e acendia a luz.
Queimava por fora
a fumaça queimava
o fogo dissipava.
Queimava
tinha um motivo
queria queimar o que havia por dentro
não funcionou

terça-feira, janeiro 23, 2007

Carta de Amor

De longe parecia uma carta de amor. Nem ele mesmo sabia o que era uma carta desse tipo. Nunca havia recebido uma e nem enviado. Abriu o envelope perfumado com muita expectativa. O remetente fizera isso por sadismo, sabia que causaria uma ânsia em seu destinatário. Pior ainda foi iniciar a carta mencionando uma saudade que ele nunca pensou em sentir. Escreveu também sobre um desejo que se obrigou a desejar por um capricho seu. Essa saudade, esse desejo e esse capricho custaram à tarde do paciente leitor da carta (de amor?).
Sorria enquanto lia. Não chorava. Nunca foi tão emotivo assim. Será que ele também o ama? Digo também porque foi assim que a carta estava assinada, com um EU TE AMO em letras de forma. Mas o que significava para o remetente essa letra? Como o misterioso receptor interpretava? A carta não foi respondida. Achou insuficiente.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Fome

Devorei todos os biscoitos do pacote. Desejava comer dois ou três, iriam suprir minha fome. Engano. Os primeiros me causaram uma profunda sensação de prazer. Já estava acabando quase a metade do pacote e a impressão que tinha era que o gozo diminuía. Depois disso, tornou-se automático. Mastigava sem nem apreciar um dos meus biscoitos preferidos. O gosto ainda era o mesmo, mas tornaram-se amargos. Eu exagerei. Mas, de qualquer forma, eles perderam o gosto. Fechei os olhos. Caí na cama. Abri os olhos. Estava cheio, mas com disposição para voltar a escrever. Me ergui e deparei-me com todos aqueles farelos em cima do meu corpo, da minha cama, do meu quarto. Eram incrível a quantidade de restos. Eram tantos que custei a acreditar. Cheguei a questionar a possibilidade de ter pisado e esmagado três ou cinco. Tive a impressão de que eu havia esbagaçado todos os biscoitos do pacote no meu corpo, na minha cama, no meu quarto. Senti minha barriga roncar. Não podia ser verdade, a pouco estava satisfeito e lembro de ter comido todos. Corri para o banheiro. Abri minha boca diante do espelho e o reflexo mostrava os dentes limpos, sem nenhum vestígio de biscoito. Só me restava limpar o quarto e abrir mais um pacote.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Cabeça vazia

Não pedi pra ficar calado
nem pra não me escutar
nem disse que não ia ouvir
fiz o que pude
tentei de todas as maneiras
agora, eu não escuto tua voz
não enxergo sua letra.
Seja feita vossa vontade
seja lá qual for
seja paciente comigo
ainda consigo
mesmo não escutando sua voz.
Escuto muitas vozes
uma delas deve ser a sua
é a sua
tenho certeza
deve ser.
Não me concentro
gritos, vozes e ruídos
me perco mais uma vez
na verdade, me desencontro
de mim e de ti.

sábado, janeiro 13, 2007

Lado meu

Por enquanto
essa droga me satisfaz
me liberta
me sufoca
me divide
do que sou
e do que sou
a água no copo
derramada
essa porta
fechada
por dentro
um coração
batendo pouco
apodrecendo
o caderno
rabiscado
e o lápis
apontado
apontado
apontado
mais uma vez apontado
gasto

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Fica




Diz que eu não sou de respeito
Diz que não dá jeito
De jeito nenhum
Diz que eu sou subversivo
Um elemento ativo
Feroz e nocivo
Ao bem-estar comum

Fale do nosso barraco
Diga que é um buraco
Que nem queiram ver
Diga que o meu samba é fraco
E que eu não largo o taco
Nem pra conversar com você
Mas fica
Mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar

Diga ao primeiro que passa
Que eu sou da cachaça
Mais do que do amor
Diga e diga de pirraça
De raiva ou de graça
No meio da praça, é favor
Mas fica
Mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar

Diz que eu ganho até folgado
Mas perco no dado
E não lhe dou vintém
Diz que é pra tomar cuidado
Sou um desajustado
E o que bem lhe agrada, meu bem
Mas fica
Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar

Chico Buarque (1965)

terça-feira, janeiro 02, 2007

Arrancou

Estou cansado
e quero que saiba
que sofro
que choro
que amo
e que espero
te espero.
Sei que disse o oposto
mas sofro
choro
amo
e espero
ainda te espero.
Não vai mudar
continuarei sofrendo
chorando
amando
mas não pretendo te esperar.